O Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal publicaram, em 3 de outubro de 2026, a versão 1.3.0 do pacote de documentação técnica da DeRE, formalizada pelo Ato Técnico Conjunto RFB/SUFIS/CGIBS/DIRETORIA-EXECUTIVA nº 6, de 28 de setembro de 2026, com fundamento nos arts.

A publicação da versão 1.3.0 do pacote de documentação técnica da DeRE ocorre em um momento em que os contribuintes enquadrados em regimes específicos precisam adequar seus sistemas corporativos a ritos de escrituração próprios, distintos do regime geral. O problema operacional é conhecido: apuração por margem, exclusão de tributos embutidos, controle de deduções por documento fiscal e tratamento de bases negativas exigem especificação técnica precisa antes de qualquer implementação.
Segundo a notícia oficial do CGIBS, a medida foi formalizada pelo Ato Técnico Conjunto RFB/SUFIS/CGIBS/DIRETORIA-EXECUTIVA nº 6, de 28 de setembro de 2026, com fundamento nos arts. 112 e 116 do Decreto nº 12.955/2026 (Regulamento da CBS) e da Resolução CGIBS nº 6/2026 (Regulamento do IBS).
A publicação da versão 1.3.0 do MOD e a atualização dos leiautes, conforme o documento, consolidam:
O documento não indica, no material consultado, prazo de adequação, obrigatoriedade de implantação ou cronograma de vigência associado a esta versão. Não há informação oficial disponível nos documentos consultados sobre esse ponto.
A documentação aprovada e disponibilizada para download é composta por cinco instrumentos, conforme descrição do próprio CGIBS:
| Item | Instrumento | Conteúdo registrado |
|---|---|---|
| 01 | Manual de Orientação do Usuário da DeRE (MOD v.1.3.0) | Orientações conceituais, diretrizes de preenchimento de eventos de tabela, mensais e transacionais, mecânica de apuração por margem e regras de gross-down |
| 02 | Leiautes da DeRE – Eventos (v.1.3.0) | Especificação técnica da estrutura hierárquica e dos campos XML de todos os eventos de entrada e retorno |
| 03 | Leiautes da DeRE – Anexo I – Tabelas (v.1.3.0) | Tabelas de domínio, com atualização dos Códigos de Tributação (Tabela 11 – codTrib), dos Códigos de Base de Cálculo (Tabela 12 – codBC), das variáveis auxiliares e dos coeficientes de rateio e reversão |
| 04 | Leiautes da DeRE – Anexo II – Regras de Validação (v.1.3.0) | Catálogo unificado com critérios de crítica de negócio, regras de consistência contábil e mensagens de erro do sistema |
| 05 | Arquivos XSD (XML Schema Definition – v.1.3.0) | Esquemas formais para validação estrutural e sintática dos arquivos XML |
A leitura conjunta dos itens 03, 04 e 05 mostra que a versão trata simultaneamente de domínio de dados, crítica de negócio e validação sintática — três camadas que, na prática, precisam ser implantadas de forma articulada nos sistemas dos contribuintes.
O MOD v.1.3.0 é descrito como o documento que consolida a arquitetura da declaração e orienta sobre o fluxo assíncrono via Web Service/APIs. Além disso, o manual, conforme o CGIBS:
Dois eventos recebem destaque na versão 1.3.0.
Evento D-2252 — instituição do leiaute do evento transacional denominado Seguros de Ramos Elementares e de Pessoas sem Cobertura por Sobrevivência – Identificação de Adquirentes Contribuintes.
Evento D-1121 — Relações de deduções utilizadas na Apuração. Conforme o documento, a finalidade primária do evento é instituir o controle em conta-corrente de deduções por documento fiscal, assegurando a aplicação do princípio da não cumulatividade e a vedação ao duplo benefício fiscal.
O D-1121 merece atenção específica do time fiscal: o controle é descrito por documento fiscal, o que vincula a consistência da apuração à qualidade da escrituração individualizada — e não a totalizações agregadas. É exatamente o tipo de exigência que costuma revelar deficiências de rastreabilidade nos sistemas legados.
A versão 1.3.0 regulamenta, segundo o CGIBS, o ciclo de fechamento e retificação da declaração:
Nota-se que o fechamento é descrito como travamento no ambiente autorizador, o que desloca o controle de consistência para o momento anterior ao envio — e não para uma validação a posteriori. Para os regimes específicos, nos quais a apuração se dá por margem, a trava entre eventos auxiliares e balancete tende a ser o ponto crítico de implementação.
A versão também promove ajustes estruturais em eventos já existentes:
Para as equipes de integração, a mudança de leiaute em evento de retorno tem efeito direto sobre o tratamento de rejeições e sobre rotinas de reconciliação: o retorno é a única evidência de aceite do lote. O documento não relaciona a lista completa de campos alterados nem o comparativo com a versão anterior; esse detalhamento consta da especificação de leiautes publicada no pacote.
A documentação técnica completa da DeRE está disponível no portal oficial do Comitê Gestor do IBS e no Portal SPED da RFB.
O que a versão 1.3.0 efetivamente registra é a consolidação documental de um bloco de requisitos: arquitetura da declaração e fluxo assíncrono no MOD; atualização de códigos de tributação e de base de cálculo no Anexo I; catálogo de críticas de negócio no Anexo II; e schemas formais nos arquivos XSD. Somam-se a isso a instituição do evento D-2252, o controle de deduções por documento fiscal no D-1121, o ciclo fechamento/reabertura com tratamento de bases negativas e os ajustes no D-2241 e no D-9209.
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