O Serpro anunciou, em 26 de agosto de 2026, no último dia do Febraban Tech, a plataforma IA Brasil, voltada a organizações que desejam incorporar inteligência artificial mantendo controle sobre dados e processamento, com tudo mantido no país.

A incorporação de inteligência artificial a processos críticos — análise de documentos, prevenção a fraudes, gestão de riscos e atendimento — levanta questões que vão além da escolha da tecnologia. Onde estão os dados? Onde são processados? Quais tecnologias participam do processo? Foi com essa agenda que o Serpro lançou a IA Brasil no Febraban Tech 2026, apresentando uma plataforma desenhada para manter dados e processamento no país e dar às organizações capacidade de governar essas escolhas. A seguir, os principais pontos da novidade.
O Serpro anunciou na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, último dia do Febraban Tech, o lançamento da IA Brasil, plataforma voltada a organizações que querem incorporar inteligência artificial aos negócios mantendo maior controle sobre seus dados e sobre a forma como são processados. O anúncio foi feito por Carlos Rodrigo Fonseca Lima, superintendente de Inteligência Artificial do Serpro, durante palestra ao setor financeiro.
A apresentação ocorre em um momento em que modelos e agentes de IA passam a participar de processos críticos. Segundo a própria divulgação do Serpro, nesse cenário “localização e proteção dos dados, rastreabilidade, dependência tecnológica e continuidade dos serviços passam a integrar a própria gestão de risco das organizações”.
Na IA Brasil, os dados permanecem integralmente no Brasil, onde também ocorre todo o processamento. A arquitetura combina modelos de diferentes portes e tecnologias de IA selecionadas de acordo com a necessidade de cada aplicação.
A plataforma reúne uma família de modelos que vai dos compactos, com até 12 bilhões de parâmetros, aos de grande porte, acima de 120 bilhões. Essa variação tem efeito direto sobre custo: como o preço dos tokens ainda é um obstáculo à adoção de IA no mercado, modelos dimensionados à complexidade de cada tarefa e capazes de raciocinar em português tendem a ser mais rápidos e econômicos. A partir dessa base, equipes do próprio Serpro treinam modelos especialistas para cenários específicos, executados na infraestrutura da empresa.
A abordagem parte de uma compreensão de soberania que, segundo o Serpro, “não significa isolamento tecnológico, mas capacidade de governar ativos estratégicos e manter controle sobre dados e processamento”. Carlos Rodrigo Fonseca Lima resume: “Soberania em inteligência artificial não é uma discussão abstrata nem significa abrir mão das melhores tecnologias disponíveis. Para uma empresa, significa saber onde estão seus dados, onde eles são processados, quais tecnologias participam daquele processo e ter capacidade de governar essas escolhas. Isso tem impacto direto em segurança, continuidade dos negócios, governança e tomada de decisão”.
Para o setor financeiro, os modelos soberanos da IA Brasil podem apoiar aplicações em análise de risco, prevenção a fraudes, compliance, inteligência regulatória, análise documental e automação de processos, além do desenvolvimento de assistentes e agentes especializados no contexto de cada instituição.
A plataforma também pode ser associada aos serviços de acesso a dados de fontes oficiais e aos recursos de confiança digital já disponibilizados pelo Serpro, abrindo espaço para aplicações que combinem inteligência artificial, informações qualificadas e maior controle sobre processos críticos. Essa integração com bases oficiais de governo é um dos diferenciais da iniciativa, especialmente para ambientes regulados e para o próprio setor público.
O mesmo evento trouxe um case em escala do uso de IA em biometria. Em 2023, cerca de 700 participantes do Febraban Tech utilizaram reconhecimento facial em uma validação pontual, realizada no credenciamento. Em 2026, a biometria passou a acompanhar diferentes momentos da jornada do participante, ampliando seu uso para acessos e circulação em diferentes ambientes.
Ao longo dos três dias da edição de 2026, foram realizadas mais de 310 mil validações biométricas, com mais de 25 catracas e 100 equipamentos de reconhecimento facial distribuídos entre pontos de acesso e credenciamento. O volume dimensiona a mudança de escala: a tecnologia deixou de ser um ponto específico de conferência para se tornar infraestrutura utilizada durante toda a circulação dos participantes.
Nesse modelo, o Serpro atua na camada de confiança da identidade por meio do AIBio, sua plataforma de inteligência artificial e biometria, que permite validar a identidade a partir do cruzamento de dados cadastrais e biométricos com bases oficiais de governo. Confirmada a identidade, a tecnologia da Intelbras conecta essa informação ao controle de acesso físico por reconhecimento facial. Os palestrantes também apresentaram possibilidades de aplicação do modelo em bancos, fintechs, escritórios, áreas críticas e outros ambientes corporativos.
O que a IA Brasil introduz é uma camada de governança sobre o uso de inteligência artificial. O Serpro relaciona a plataforma a preocupações concretas: localização e proteção dos dados, rastreabilidade, dependência tecnológica e continuidade dos serviços. Para organizações que operam processos críticos ou lidam com dados sensíveis, essas variáveis passam a fazer parte da gestão de risco, da governança e da tomada de decisão.
A possibilidade de associar a IA Brasil aos serviços de acesso a dados de fontes oficiais e aos recursos de confiança digital do Serpro reforça o potencial da plataforma para aplicações que exijam informações qualificadas e controle sobre processos críticos. O documento, no entanto, não detalha casos específicos de implantação no setor público nem apresenta cronograma de adoção para órgãos governamentais.
O lançamento da IA Brasil no Febraban Tech 2026 posiciona o Serpro como provedor de uma infraestrutura de inteligência artificial com dados e processamento mantidos no Brasil. A plataforma combina modelos de diferentes portes, permite o treinamento de especialistas e busca endereçar o custo de adoção por meio de modelos dimensionados à tarefa e capazes de raciocinar em português. No evento, o case do AIBio demonstrou a evolução da biometria em escala, com mais de 310 mil validações, conectando a confirmação segura de identidade ao controle de acesso físico.
Os documentos consultados não indicam cronograma ou próximas etapas oficiais para além das possibilidades de aplicação mencionadas — análise de risco, prevenção a fraudes, compliance, inteligência regulatória, análise documental, automação de processos e agentes especializados. A recomendação que se extrai da divulgação é direta: organizações que queiram adotar IA em processos críticos devem incluir soberania, localização de dados e governança tecnológica em suas decisões estratégicas.
Boletim Taxsphere
Notas técnicas, prazos e mudanças de layout — filtrados por quem implementa isso dentro do SAP todo dia. Um resumo curto no lugar de 300 páginas de diário oficial.